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Data: 20/07/09 Horário: 09:11:30

Terapia estimula a atitude das agentes de saúde e pode trazer economia aos cofres públicos

 

O Trabalho de Conclusão de Curso/TCC intitulado 'Grupo de Encontro centrado na Pessoa com agentes comunitários de saúde: facilitando agentes de promoção da saúde pública', desenvolvido pelo acadêmico do 9º Psicologia Tiago Luiz Pereira, do Campus de São Miguel do Oeste, no município de Paraíso, foi estratégico. Primeiro, pela economia que pode gerar aos cofres públicos. Segundo, porque acaba incentivando a atitude dos agentes de saúde.

A idéia do trabalho acadêmico era oferecer terapia para as 13 agentes de saúde do município. A atividade foi realizada em 14 encontros semanais, de duas horas cada, que duraram cerca de quatro meses, numa parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.

“O trabalho do Tiago foi uma intervenção. Para a prática profissional, a intervenção proporciona maior riqueza de experiência. Ele usou a Psicologia Humanista, que trabalha o potencial humano”, explica a professora/orientadora da pesquisa, Verena Augustin Hoch. Neste caso, o estudo caracterizou-se como uma Pesquisa Fenomenológica, a qual possibilita a investigação da vivência dos participantes.

Segundo o acadêmico, a idéia para a pesquisa surgiu em sala de aula, a partir de um texto de Eva Lúcia da Costa Oliveira, psicóloga da área Humanista, que destacava a participação da comunidade na prevenção e mudança da saúde pública.

“O objetivo foi instrumentalizar as agentes para que possam realizar um trabalho mais eficaz na comunidade. Trabalhar atitudes básicas, como a relação delas, com elas mesmas, e com as outras pessoas”, salienta Tiago.

Os encontros

Diferentemente de ações tradicionais como dinâmicas e palestras, o pesquisador era um facilitador na discussão do grupo. As próprias agentes pautavam os assuntos e anseios nos encontros, caracterizados como terapias de grupo. “Elas ficaram surpresas no começo, pois estavam esperando que eu desse aula, palestras. E eu sentei e fiquei ouvindo. No começo, foi um susto para elas. Com o passar do tempo, foram entendendo que dependia da atitude delas e eu estava aí para ouvi-las”, destaca Tiago.

Ele enfatiza que a intenção desse trabalho não foi dar receitas ou dicas de como agir, mas fazer com que as agentes refletissem e entendessem o seu mundo e o que influencia tal atitude ou problema. “O objetivo da intervenção é valorizar a autonomia, não a dependência”, frisa. “Também aprendi muito, porque a partir do momento que estou comungando com o grupo, muito daquilo que foi falado com elas também me atingiu, além de ter sido um aprendizado profissional”, conclui Tiago.

“O Tiago realizou um projeto que sempre pensei em realizar com agentes de saúde. Ele conseguiu colocar em prática e o resultado é que a comunidade acaba se beneficiando pelas agentes. Muitas vezes, elas querem ajudar e não têm instrumentos. Dessa forma, como o Tiago trabalhou, acabam sendo multiplicadores de saúde”, disse Verena Augustin Hoch. “As agentes de saúde estão em contato com toda a comunidade e, por isso, é muito mais prático, até financeiramente, oferecer a terapia de  grupo para as agentes, do que realizar indivivualmente para toda a comunidade”, avalia.

A avaliação das agentes

“A partir desse trabalho, o próprio grupo ficou mais unido. Aprendemos que é importante confiar mais nas pessoas, ouvir mais as pessoas e tentar ajudá-las da melhor maneira”, salienta Arlene de Souza.

“Foi muito bom. Assuntos, que entre nós não conversávamos, agora socializamos com o grupo. Nós temos que ouvir mais do que falar. Quando chegamos nas casas, ouvimos problemas de marido, de mulher, de filho. Às vezes, não podemos dar opinião. Precisamos manter sigilo. As pessoas desabafam conosco”, revela Luciane Canesso.

“Eu senti falta da terapia com o Tiago. Já estávamos acostumados com as reuniões nas quintas-feiras. Nos tornamos um grupo diferente, mais unido. Às vezes, você julga uma pessoa por ser grosseira, mas você precisa compreender que existe um porquê nisso. E é ouvindo que podemos ajudar, seja apenas ouvindo, ou mesmo com uma palavra de conforto”, destaca Salete Pilla.

“Tem uma família que eu visito há dois anos e só agora começaram a se abrir. Você começa a pedir dos filhos, dos netos e as pessoas começam a confiar, até choram. Você estabelece um relacionamento. E isso faz um bem à saúde das famílias”, frisa Jaqueline Hirt.

Fonte: Assessoria de Imprensa


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